Carlinhos Vergueiro vem à cidade celebrar o cancioneiro de Nelson Cavaquinho em show
Gabriel de Sá
Gabriel de Sá
Quando conheceu o sambista carioca Nelson Cavaquinho, Carlinhos Vergueiro tinha apenas 16 anos. Os dois frequentavam o mesmo botequim, em São Paulo, e tinham amigos em comum. A diferença de idade — cerca de 40 anos — não foi empecilho para que logo se tornassem camaradas. “Éramos muito boêmios, mas Nelson era imbatível. Às vezes, eu ia para casa, dormia, e quando voltava ele ainda estava lá no mesmo bar. Nem nos meus tempos áureos eu tinha tanta resistência”, relembra o músico paulista. Quando ele se profissionalizou no ofício e passou a ir mais ao Rio, os laços se estreitaram.
A parceria — que não chegou a se concretizar em canções — rendeu uma série de shows da dupla na noite carioca entre os anos 1970 e 1980 e possibilitou a Vergueiro a produção, ao lado de Cristina Buarque, do último disco do sambista, As flores em vida,lançado em 1985. “Consegui proporcionar ao Nelson momentos de que ele gostou muito”, conta. “Ele era uma pessoa peculiar, muito interessante. Ouvi várias coisas inéditas, pouco conhecidas.” Nelson Cavaquinho faleceu em 1986.
Na ocasião do centenário do compositor, em outubro do ano passado, Vergueiro lançou, pela Biscoito Fino, um álbum tributo em que passeia pela obra do bamba. São estas canções — Luz negra, Folhas secas e Pranto de poeta, entre outras — que compõem as apresentações que ele faz hoje e amanhã, às 21h, no Teatro Oi Brasília. Outras, que não entraram no disco por falta de espaço — caso de Cuidado com a outra, Minha festa e Tatuagem —, também estão no repertório. “Canto as músicas dele com tanto prazer que, às vezes, parece que são minhas”, destaca.
FONTE: CORREIOWEB

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