Mariana Moreira
Coreografias foram baseadas no texto As suplicantes, de Ésquilo
Dânao, rei da Líbia e de Argos, teve 50 filhas e, um dia, decidiu fechar um acordo concedendo as mãos de todas elas em casamento aos 50 filhos de seu irmão, Egito. Depois de muitas guerras, a epopeia terminou de forma sangrenta: na noite de núpcias, elas embebedaram e mataram seus maridos. Em linhas gerais, assim se desenrola a narrativa do mito grego Danaides, que inspirou o baSiraH — Núcleo de Dança Contemporânea a desenvolver sua nova coreografia, de mesmo nome. O espetáculo estreou no Gama e fica em cartaz de desta quinta-feira a 12 de junho, no Teatro Plínio Marcos, na Funarte.
A inspiração surgiu quando a diretora da companhia, a bailarina Giselle Rodrigues, frequentava as aulas de processo criativo durante o doutorado, na Universidade de Brasília (UnB). O professor Marcus Mota apresentou As suplicantes, texto de Ésquilo, que trouxe a história até os tempos atuais, e a verve criativa de Giselle se acendeu de imediato. “São textos muito imagéticos e plásticos. Uma das descrições era de mulheres que lutavam contra homens nus. Imagine criar uma cena a partir dessa imagem”, explica ela.
Mota, colega de Giselle no corpo docente do Departamento de Cênicas da UnB, foi convidado a compartilhar com a trupe seus conhecimentos de tragédia grega, e ficou responsável por toda a fundamentação teórica do espetáculo. Como há várias versões para a mesma história, coube a ele apresentar as variações, para que o baSiraH fizesse sua própria leitura.
A partir dessas informações, os bailarinos envolvidos passaram a sugerir movimentos e a construir a encenação em um processo coletivo. “Nossa preocupação não é tanto em contar a história, mas em levantar alguns pontos fortes, como a transgressão do feminino que destrói o status masculino da virilidade, do poder e da força”, sinaliza a diretora da companhia, que também buscou imprimir no trabalho um reflexo dos conflitos de gênero, a luta pelo poder e a violência contra as mulheres.
Em Danaides, não há protagonista. O conceito de coro, presente nas tragédias gregas, ganha a leitura do movimento coletivo executado por 15 bailarinos, dando a ideia da massa humana que move a saga familiar. Outro recurso da montagem é a sobreposição de imagens em cena. Enquanto uma ação se desenvolve em primeiro plano, outra complementar ocorre logo atrás. “Essas sobreposições surgiram para trazer a atmosfera do mito e dar conteúdo à história”, explica Giselle.
Durante as imersões teóricas, os bailarinos compreenderam a característica “líquida” do mito: há sangue e suor dos homens e lágrimas femininas. Durante uma fuga, as irmãs atravessam mares e, em uma das versões disseminadas, são transformadas em fontes de fertilidade. A opção estética para reforçar essa ideia foi investir em um cenário plástico, de textura difusa. Os figurinos apostam na transparência. “O mito é uma coisa pesada e a gente quis dar um contraponto nessa leveza”, afirma a diretora.
O mito
Segundo a versão adotada pelo grupo, o rei Dânao teve 50 filhas, com mulheres diferentes, as danaides. Egito, seu irmão, também teve 50 filhos, os egiptíades. Para que as posses continuassem na família, Egito propôs a Dânao que todos os filhos se casassem entre eles. A proposta não foi aceita e o pai das danaides decidiu fugir com todas elas para Argos. Tempos depois, a proposta de casamento foi confirmada. No entanto, na noite de núpcias, elas embebedaram os homens e cortaram seus pescoços. A única que não cumpriu o plano foi Hipermnestra, que fugiu com o marido (e primo), Liceu. Danaides também são borboletas andarilhas, que voam grandes distâncias, e reforçam o mito das mulheres em fuga.
Fonte: Correioweb
A inspiração surgiu quando a diretora da companhia, a bailarina Giselle Rodrigues, frequentava as aulas de processo criativo durante o doutorado, na Universidade de Brasília (UnB). O professor Marcus Mota apresentou As suplicantes, texto de Ésquilo, que trouxe a história até os tempos atuais, e a verve criativa de Giselle se acendeu de imediato. “São textos muito imagéticos e plásticos. Uma das descrições era de mulheres que lutavam contra homens nus. Imagine criar uma cena a partir dessa imagem”, explica ela.
Mota, colega de Giselle no corpo docente do Departamento de Cênicas da UnB, foi convidado a compartilhar com a trupe seus conhecimentos de tragédia grega, e ficou responsável por toda a fundamentação teórica do espetáculo. Como há várias versões para a mesma história, coube a ele apresentar as variações, para que o baSiraH fizesse sua própria leitura.
A partir dessas informações, os bailarinos envolvidos passaram a sugerir movimentos e a construir a encenação em um processo coletivo. “Nossa preocupação não é tanto em contar a história, mas em levantar alguns pontos fortes, como a transgressão do feminino que destrói o status masculino da virilidade, do poder e da força”, sinaliza a diretora da companhia, que também buscou imprimir no trabalho um reflexo dos conflitos de gênero, a luta pelo poder e a violência contra as mulheres.
Em Danaides, não há protagonista. O conceito de coro, presente nas tragédias gregas, ganha a leitura do movimento coletivo executado por 15 bailarinos, dando a ideia da massa humana que move a saga familiar. Outro recurso da montagem é a sobreposição de imagens em cena. Enquanto uma ação se desenvolve em primeiro plano, outra complementar ocorre logo atrás. “Essas sobreposições surgiram para trazer a atmosfera do mito e dar conteúdo à história”, explica Giselle.
Durante as imersões teóricas, os bailarinos compreenderam a característica “líquida” do mito: há sangue e suor dos homens e lágrimas femininas. Durante uma fuga, as irmãs atravessam mares e, em uma das versões disseminadas, são transformadas em fontes de fertilidade. A opção estética para reforçar essa ideia foi investir em um cenário plástico, de textura difusa. Os figurinos apostam na transparência. “O mito é uma coisa pesada e a gente quis dar um contraponto nessa leveza”, afirma a diretora.
O mito
Segundo a versão adotada pelo grupo, o rei Dânao teve 50 filhas, com mulheres diferentes, as danaides. Egito, seu irmão, também teve 50 filhos, os egiptíades. Para que as posses continuassem na família, Egito propôs a Dânao que todos os filhos se casassem entre eles. A proposta não foi aceita e o pai das danaides decidiu fugir com todas elas para Argos. Tempos depois, a proposta de casamento foi confirmada. No entanto, na noite de núpcias, elas embebedaram os homens e cortaram seus pescoços. A única que não cumpriu o plano foi Hipermnestra, que fugiu com o marido (e primo), Liceu. Danaides também são borboletas andarilhas, que voam grandes distâncias, e reforçam o mito das mulheres em fuga.
Fonte: Correioweb

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