Mariana Moreira
João Velho e Nina Morena vivem casal afetado pela tragédia do World Trade Center em 2001
João Velho e Nina Morena vivem casal afetado pela tragédia do World Trade Center em 2001O ataque terrorista ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, costuma despertar reações em escala mundial. Mas o escritor João Paulo Cuenca decidiu mudar o foco e usar a tragédia como pano de fundo para sua estreia na dramaturgia. A peça Terror ganhou a direção de Pedro Brício e será encenada desta quarta a sábado, às 19h; e domingo, às 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). "É um tema meio espinhoso, mas já pensava em escrever sobre isso. É um dos meus assuntos recorrentes: até que ponto somos capazes de representar o amor e a tragédia. Tentamos o tempo todo dizer o que não se consegue falar", explica Cuenca. O espetáculo encerra a programação do projeto Nova Dramaturgia Brasileira, que propôs um intercâmbio entre escritores e diretores teatrais da nova geração brasileira.
O texto, encenado pelos atores João Velho e Nina Morena, conta a história de um casal de amantes que acorda no Rio de Janeiro e liga a televisão. Acompanha, ao vivo, o ataque comandado pelo terrorista Osama Bin Laden, que culminou com a queda das Torres Gêmeas. Seria um acontecimento menor na vida dos dois, não fosse o fato de que a amante vive com o marido em Nova York e tinha passagem de volta marcada para o dia seguinte. O atentado muda a relação e os planos da dupla. "Esse evento inaugurou o século. Ficou muito mais difícil escrever ficção depois daquele dia, porque tudo ficou possível. A realidade foi mais espetacular do que qualquer ficção que a gente tente produzir", acredita Cuenca.
Ele admite que enfrentou dificuldades para produzir o texto teatral, mas conseguiu driblá-las. "Sou da prosa, só agora estou botando diálogo na boca das pessoas. Quando você escreve para o teatro, tem que ter a generosidade de deixar espaço para o ator, o diretor, a luz e todos os outros elementos cênicos. No livro, você ocupa todos os espaços", reflete o autor de três livros e um dos dramaturgos por trás da série Afinal, o que querem as mulheres?, exibida pela Rede Globo, no ano passado.
Mistura de camadas
Nas mãos de Pedro Brício, diretor com sete peças no currículo e ganhador do prêmio Shell de melhor autor, pela peça A incrível confeitaria do Sr. Pellica, Terror ganhou um tom menos realista. "Não é uma reflexão política ou sobre o próprio 11 de setembro. Poderia ter sido em qualquer tragédia. A peça não se passa tanto no campo do real. Misturei camadas. Em alguns momentos, as coisas parecem projeções, invenções, memórias. Quis deixar um pouco mais aberto", explica. O original de Cuenca tinha uma preocupação com o tempo: a ação se passaria em torno de 50 minutos, em tempo real, período que separa a queda das duas torres do edifício. Em sua adaptação para o palco, Brício deixou a noção de tempo mais difusa. "Mas não mudei radicalmente, são pequenos voos", afirma.
Nina Morena já havia sido escalada para o elenco de sua peça vencedora do Shell, mas o ator João Velho é estreante em produções de Brício. "É um ator bacana, tem humor e despojamento", avalia. Juntos, contracenando em um cenário que reproduz um apartamento decorado com folhas esvoaçantes, eles dão um clima naturalista na interpretação. "O grande atrativo da peça é o jogo dos atores, uma interpretação intimista, um pouco distanciada e com momentos mais intensos. Quando li o texto, tentei não criar coisas que não eram da peça. Tentei ser delicado pra não forçar a barra, a criação está no trabalho de atores", conta Brício.
Fonte: Correioweb
O texto, encenado pelos atores João Velho e Nina Morena, conta a história de um casal de amantes que acorda no Rio de Janeiro e liga a televisão. Acompanha, ao vivo, o ataque comandado pelo terrorista Osama Bin Laden, que culminou com a queda das Torres Gêmeas. Seria um acontecimento menor na vida dos dois, não fosse o fato de que a amante vive com o marido em Nova York e tinha passagem de volta marcada para o dia seguinte. O atentado muda a relação e os planos da dupla. "Esse evento inaugurou o século. Ficou muito mais difícil escrever ficção depois daquele dia, porque tudo ficou possível. A realidade foi mais espetacular do que qualquer ficção que a gente tente produzir", acredita Cuenca.
Ele admite que enfrentou dificuldades para produzir o texto teatral, mas conseguiu driblá-las. "Sou da prosa, só agora estou botando diálogo na boca das pessoas. Quando você escreve para o teatro, tem que ter a generosidade de deixar espaço para o ator, o diretor, a luz e todos os outros elementos cênicos. No livro, você ocupa todos os espaços", reflete o autor de três livros e um dos dramaturgos por trás da série Afinal, o que querem as mulheres?, exibida pela Rede Globo, no ano passado.
Mistura de camadas
Nas mãos de Pedro Brício, diretor com sete peças no currículo e ganhador do prêmio Shell de melhor autor, pela peça A incrível confeitaria do Sr. Pellica, Terror ganhou um tom menos realista. "Não é uma reflexão política ou sobre o próprio 11 de setembro. Poderia ter sido em qualquer tragédia. A peça não se passa tanto no campo do real. Misturei camadas. Em alguns momentos, as coisas parecem projeções, invenções, memórias. Quis deixar um pouco mais aberto", explica. O original de Cuenca tinha uma preocupação com o tempo: a ação se passaria em torno de 50 minutos, em tempo real, período que separa a queda das duas torres do edifício. Em sua adaptação para o palco, Brício deixou a noção de tempo mais difusa. "Mas não mudei radicalmente, são pequenos voos", afirma.
Nina Morena já havia sido escalada para o elenco de sua peça vencedora do Shell, mas o ator João Velho é estreante em produções de Brício. "É um ator bacana, tem humor e despojamento", avalia. Juntos, contracenando em um cenário que reproduz um apartamento decorado com folhas esvoaçantes, eles dão um clima naturalista na interpretação. "O grande atrativo da peça é o jogo dos atores, uma interpretação intimista, um pouco distanciada e com momentos mais intensos. Quando li o texto, tentei não criar coisas que não eram da peça. Tentei ser delicado pra não forçar a barra, a criação está no trabalho de atores", conta Brício.
Fonte: Correioweb
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