PUBLICIDADE

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Inspirada no atentado de 11 de setembro, peça é a estreia do escritor João Paulo Cuenca no palco

Mariana Moreira

João Velho e Nina Morena vivem casal afetado pela tragédia do World Trade Center em 2001
O ataque terrorista ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, costuma despertar reações em escala mundial. Mas o escritor João Paulo Cuenca decidiu mudar o foco e usar a tragédia como pano de fundo para sua estreia na dramaturgia. A peça Terror ganhou a direção de Pedro Brício e será encenada desta quarta a sábado, às 19h; e domingo, às 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). "É um tema meio espinhoso, mas já pensava em escrever sobre isso. É um dos meus assuntos recorrentes: até que ponto somos capazes de representar o amor e a tragédia. Tentamos o tempo todo dizer o que não se consegue falar", explica Cuenca. O espetáculo encerra a programação do projeto Nova Dramaturgia Brasileira, que propôs um intercâmbio entre escritores e diretores teatrais da nova geração brasileira.

O texto, encenado pelos atores João Velho e Nina Morena, conta a história de um casal de amantes que acorda no Rio de Janeiro e liga a televisão. Acompanha, ao vivo, o ataque comandado pelo terrorista Osama Bin Laden, que culminou com a queda das Torres Gêmeas. Seria um acontecimento menor na vida dos dois, não fosse o fato de que a amante vive com o marido em Nova York e tinha passagem de volta marcada para o dia seguinte. O atentado muda a relação e os planos da dupla. "Esse evento inaugurou o século. Ficou muito mais difícil escrever ficção depois daquele dia, porque tudo ficou possível. A realidade foi mais espetacular do que qualquer ficção que a gente tente produzir", acredita Cuenca.

Ele admite que enfrentou dificuldades para produzir o texto teatral, mas conseguiu driblá-las. "Sou da prosa, só agora estou botando diálogo na boca das pessoas. Quando você escreve para o teatro, tem que ter a generosidade de deixar espaço para o ator, o diretor, a luz e todos os outros elementos cênicos. No livro, você ocupa todos os espaços", reflete o autor de três livros e um dos dramaturgos por trás da série Afinal, o que querem as mulheres?, exibida pela Rede Globo, no ano passado.

Mistura de camadas
Nas mãos de Pedro Brício, diretor com sete peças no currículo e ganhador do prêmio Shell de melhor autor, pela peça A incrível confeitaria do Sr. Pellica, Terror ganhou um tom menos realista. "Não é uma reflexão política ou sobre o próprio 11 de setembro. Poderia ter sido em qualquer tragédia. A peça não se passa tanto no campo do real. Misturei camadas. Em alguns momentos, as coisas parecem projeções, invenções, memórias. Quis deixar um pouco mais aberto", explica. O original de Cuenca tinha uma preocupação com o tempo: a ação se passaria em torno de 50 minutos, em tempo real, período que separa a queda das duas torres do edifício. Em sua adaptação para o palco, Brício deixou a noção de tempo mais difusa. "Mas não mudei radicalmente, são pequenos voos", afirma.

Nina Morena já havia sido escalada para o elenco de sua peça vencedora do Shell, mas o ator João Velho é estreante em produções de Brício. "É um ator bacana, tem humor e despojamento", avalia. Juntos, contracenando em um cenário que reproduz um apartamento decorado com folhas esvoaçantes, eles dão um clima naturalista na interpretação. "O grande atrativo da peça é o jogo dos atores, uma interpretação intimista, um pouco distanciada e com momentos mais intensos. Quando li o texto, tentei não criar coisas que não eram da peça. Tentei ser delicado pra não forçar a barra, a criação está no trabalho de atores", conta Brício.

Fonte: Correioweb

Nenhum comentário:

Postar um comentário