Irlam Rocha Lima
Embora seja, basicamente, um álbum solo, para apresentá-lo ao público, ele vai ter a companhia no palco de músicos com quem tem trocado figurinhas nos últimos tempos: Márcio Marinho (cavaquinho), Eduardo Belo (contrabaixo acústico), Felipe Viegas (teclados), Rafael dos Santos (bateria), Pablo Fagundes (gaita) — alguns deles participam do CD. Outro convidado é o cantor Leonel Laterza, que vai usar a voz como instrumento, fazendo vocalize. No transcorrer do show serão formados duo, trio, quarteto e sexteto.
Releituras
No álbum Caminhos abertos, 8 das 10 faixas são autorais, e foram compostas entre 2008 e 2010. Sem preconceito, reuniu no repertório gêneros diversos. Embora esbanje técnica apurada e refinamento estilístico, é cuidadoso com a melodia. “Tudo o que quero é ouvir uma música que compus bem assimilada pelo público, sendo assobiada por alguém”, torce.
Henriquinho, no entanto, abre o repertório com a releitura de Aviso aos navegantes, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro; e fecha com nova versão de Fuga pro Nordeste, de Dominguinhos. Ele justifica a inclusão dessas duas músicas no disco. “O Baden, com Raphael Rabello, é uma das minhas referências entre os violonistas. Já por Dominguinhos, com quem já toquei, tenho grande admiração, principalmente pelo que representa como artista para sua região, tão rica culturalmente”.
Mesmo sendo um intrumentista identificado com o choro, o violonista mostra familiaridade ao frequentar outros ambientes musicais, e isso fica claro em seu trabalho de composição. Sem mais nem menos, é uma new bossa, que remete a Tom Jobim; Rancheira mistura elementos da música clássica com ritmo originário dos pampas gaúchos. Já Lágrimas de cristal soa como um tango estilizado. “Numa das vezes que estive em Buenos Aires, fui assistir a um show em uma casa de tango e fiquei impressionado com o que ouvi. Na volta ao hotel, me veio a ideia para compor esse tema”, revela.
O ecletismo musical que Henriqunho deixa transparecer em Caminhos abertos, pode ser observado, ainda, na faixa- título — uma valsa. Mas ele vai além e imprime uma levada flamenca em Rumo das águas. Ele vê outra de suas composições, Mar e montanha, como algo mais amplo, próxima de uma trilha sonora. Diante da diversidade de gêneros, o músico acredita que é o aspecto orgânico do trabalho que dá unidade ao álbum, de produção independente, que teve o apoio do FAC.
Fonte: Correioweb

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