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terça-feira, 14 de junho de 2011

Fabrício Carpinejar é convidado da vez do projeto Escritores brasileiros



» Maíra de Deus Brito

Ângela Vieira vai interpretar trechos da obra de Carpinejar
Tudo começou com a banda de rock do irmão mais velho, que era letrista do grupo e escrevia “umas coisas bonitas”. “Eu comecei a ler poesia para poder participar dos papos psicodélicos dele”, confessa Fabrício Carpi Nejar, hoje, Carpinejar, após a junção dos sobrenomes da mãe e do pai. Poeta, cronista, jornalista e professor, ele tem 18 livros publicados e o prêmio Jabuti de 2009 pela coletânea de crônicasCanalha!, em que provoca rótulos masculinos. E esse é o forte de Carpinejar: instigar por meio de atenciosas observações do dia a dia. “Em 2003, criei um blog e comecei como poeta. Mas eu percebi que na internet a escrita é uma outra conversa, uma outra forma de atuação. Eu podia me espalhar mais. Daí, passei a contar histórias e me tornei cronista.” 

Esses casos ultrapassaram as fronteiras do diário virtual, chegaram ao microblog Twitter e viraramsucesso. Com mais de 100 mil seguidores, ele é uma das personalidades mais influentes da web e, por isso, o convidado da vez do projeto Escritores brasileiros. Nesta terça-feira, às 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e, na quarta-feira, às 20h, no Sesc Gama, o poeta participa de um bate-papo sobre o mundo da literatura nas redes sociais e tem seus textos interpretados pela atriz Ângela Vieira, que recentemente participou da novela Insensato coração, no CCBB, e pela também atriz carioca Bidô Galvão, no Sesc.

“Acho que as participações nas redes sociais são sempre algo intenso e irônico. A literatura traz o poder de fogo cruzado. O escritor é um fofoqueiro sofisticado. A minha relação é justamente confundir. Eu acredito que quando a gente confunde a vida, toma uma postura literária. Quando resolvemos as coisas, estamos fazendo autoajuda. É muita saúde confundir. Você pode perceber que qualquer pessoa muito confusa tem muita saúde. O doente está cheio de certezas, que são provisórias”, comenta o escritor, já fazendo poesia, sobre a participação no evento.

Outras leituras
Autor do primeiro livro no Brasil com frases do Twitter (www. twitter.com/carpinejar), Carpinejar é autoridade quando se trata de poesia em 140 caracteres. Tanto que não crê na existência de uma fronteira entre a literatura dita tradicional e a produzida na internet: “Toda vez que um adolescente lê Guimarães Rosa, o escritor está deixando de ser tradicional. A literatura é criação. Se você está acostumado a trabalhar com textos curtos nas redes sociais, qual será a sua diversão? Ler um livro longo! A essência da falta sempre funcionou”. Animada com as releituras, ela acredita que o novo olhar sobre as obras estimulará a curiosidade do leitores. 

Ângela Vieira começou sua carreira na tevê no fim da década de 1970 com pequenas participações em programas de humor. Alguns anos depois, saiu da Globo e fez, pela primeira vez, um papel sério na novela Corpo santo, da extinta Rede Manchete, com o qual ganhou um prêmio de interpretação em 1987. No cinema, ela marcou presença em filmes como Viva Zapata, de Luiz Carlos Lacerda, e Zuzu Angel, de Sérgio Rezende.
Uma das mais atuantes atrizes do DF, Bidô Galvão divide os palcos com as aulas de interpretação em artes cênicas na Universidade de Brasília (UnB). Começou a vida artística como bailarina no fim da década de 1970 e encaminhou-se para o ofício de atriz, trabalhando com os principais diretores da cidade. Atualmente, ensaia o espetáculo Bagatelas, de Guilherme Reis, e viaja o país com a peça Cabaré das donzelas inocentes, com direção de Murilo Grossi e William Ferreira.

“A respiração, a pontuação emocional, tudo é uma roupagem verbal capaz de transformar uma produção dramática em cômica. Será incrível. Depois da interpretação delas, terei que ler meus textos com mímicas!”, diz o poeta, rindo. 
Fonte Correioweb

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