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sábado, 11 de junho de 2011

Clássico russo é dissecado por Deborah Colker na coreografia Tatyana


Mariana Moreira
Para fugir da narrativa linear, cada personagem é vivido por mais de um bailarino
À frente da própria companhia de dança desde 1994, Deborah Colker esteve nos palcos mais celebrados do mundo, passou por mais de 30 países e, recentemente, criou o espetáculo Ovo, a pedido do canadense Cirque du Soleil, um ícone do gênero. Ainda assim, ela consegue encontrar novos desafios para sua carreira. O mais recente é Tatyana, coreografia baseada no livro russoEvguêni Oniéguin, de Alexander Púchkin, que chega à Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, com apresentações neste sábado (11/6), às 21h, e domingo, às 20h. 

É a primeira vez que ela adapta para os palcos uma história com começo, meio e fim. “Me perguntaram por que montar um clássico versado, que levou sete anos para ser escrito. Eu me apaixonei pelos personagens e pela maneira do Púchkin de contar a história. O desafio foi roteirizar da minha maneira”, conta.

Além de fazer seguidas leituras da obra, que trata de um amor não correspondido de Tatyana por Eugene Oneguin, ela buscou produções relacionadas ao livro, como a ópera de Piotr Ilitch Tchaikovsky e o filme Onegin, dirigido por Martha Fiennes, com Ralph Fiennes e Liv Tyler no elenco. Sem recorrer diretamente a essas referências, a bailarina criou seu próprio universo dentro da obra, elegendo cinco personagens, entre eles o próprio autor do livro, para entrar em cena.

“Cada personagem é vivido por mais de um bailarino. Quis pluralizá-los e multiplicá-los, fugir de uma narrativa linear. Quero que o público se conecte com a transformação deles, a escolha, o amadurecimento, o encantamento de descobrir o amor”, afirma.

No primeiro ato, que se passa no campo, uma árvore feita de metal e madeira dá o tom do mundo rural. Os 16 bailarinos usam os sete galhos recortados para criar planos diferentes, imersos na sensação de natureza. Na segunda etapa, o cenário é composto por transparências.

A trilha sonora mistura clássicos de Tchaikovsky, Igor Stravinsky e Sergei Rachmaninoff a modernidades como Kraftwerk, numa miscelânea orquestrada por Berna Ceppas. “Quis contar essa história por meio dos sentimentos”, destaca a coreógrafa.

Depois de passar por Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, o espetáculo faz escala em Brasília e segue novamente para o Sul. No ano que vem, Tatyana estenderá seus domínios a plateias inglesas, alemãs e americanas. 
Fonte Correioweb

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